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Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas

Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas

Piratas do Caribe é inegavelmente uma das franquias mais rentáveis do cinema, que já rendeu uma trilogia que teve seus altos e baixos. O primeiro era uma história praticamente fechada e carregava um elemento surpresa que o tornou um filme para lá de divertido. Já o segundo e o terceiro tentaram aprofundar tramas que já deviam estar conclusas em cima de um argumento grandioso e complicado; como resultado, foram dois filmes medianos e que não agradaram muita gente. O fato é que muitos conceitos adotados no primeiro foram abandonados nos outros em prol de transformar a história num grande épico de pirataria exacerbado pelo sobrenatural. Assim, aquela essência despretensiosa do original acabou se perdendo. O próprio Jack Sparrow, um dos personagens mais carismáticos já construídos e a alma da franquia, apesar de sua força, muitas vezes parecia mais um coadjuvante de luxo. Com Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas (Pirates Of The Caribbean: On Stranger Tides, 2011), esperava-se que vários destes problemas se repetissem, mas não é o que acontece.

Para começar, Jack Sparrow é, como deve ser, a alma do filme e toda a trama gira em função dele. O personagem foi libertado da trilogia anterior, principalmente com a não participação de Keira Knightley e Orlando Bloom, e ganhou um novo fôlego para o seu retorno. Os filmes anteriores, no entanto, não foram esquecidos. Piratas do Caribe 4 se passa depois dos eventos do terceiro longa e o próprio Jack, em um momento, quando alertado sobre as forças sobrenaturais envolvidos em sua nova jornada, diz que já viu uma coisa ou outra de sobrenatural por aí. Além disso, aqui, o pirata encontra algum amadurecimento (ainda que seja pouco tendo em vista que estamos falando do Capitão Jack Sparrow). O nome que responde por esta renovação é Rob Marshall, que substitui Gore Verbinski na direção. O cineasta, conhecido por Memórias de Uma Gueixa (2005) e Chicago (2002), inspira-se nas características que levaram A Maldição do Pérola Negra a estourar nas bilheterias. Johnny Depp continua esbanjando carisma em sua performance e, desta vez, ganha mais tempo de tela, mais ainda do que teve em quaisquer dos outros Piratas. Além disso, ele é impulsionado por uma série de sequências de ação emocionantes. A abertura do filme, com uma entrada para lá de excêntrica do personagem, traz à mente a memorável cena de introdução do primeiro, quando Jack chega ao cais em pé no mastro de um barco afundado. O impacto não é o mesmo porque, aqui, já conhecemos a imprevisibilidade de Jack Sparrow, mas a nostalgia e a sensação de retomada daquilo que fez a série divertida são reconfortantes. De cara, Rob Marshall mostra a que veio e o que podemos esperar. Um ponto positivo, sem dúvida. Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas é a melhor tentativa de recapturar o espírito do primeiro filme e se sai muito bem neste intento.

O enredo começa na Espanha e passa rapidamente para Londres, com um imitador de Jack Sparrow tentando recrutar piratas para uma viagem até a Fonte da Juventude. Quando o verdadeiro capitão descobre este engano, e sofre muitas consequências por isto, decide ir atrás do farsante para retomar o seu lugar. Assim, ele acaba cruzando o caminho de uma antiga paixão Angelica (Penélope Cruz), que, para variar, tem uma história peculiar com ele, e do pirata mais temido dos mares, o terrível Capitão Barba Negra (Ian McShane), que está obcecado em conseguir a vida eterna.

O quarto filme é livremente inspirado no livro Em Marés Estranhas (On Strange Tides, 1988) de Tim Powers. O autor tinha vendido os direitos da obra para a Disney e ela aproveitou partes da trama do livro devidamente adaptadas para o universo de Piratas do Caribe na construção do roteiro. E, como praxe, os roteiristas acrescentaram a confusão, porque uma história de Piratas do Caribe é inerentemente repleta de loucuras e reviravoltas. Um caso típico é o reaparecimento do Capitão Barbossa (Geoffrey Rush), o pirata morto-vivo que agora trabalha como corsário da Inglaterra — num atestado visível de que os britânicos não têm qualquer critério para a contratação de seus subordinados. Não obstante, Jack ainda tem que lidar com uma frota de espanhóis empenhados em chegar primeiro à fonte e várias sereias tão belas quanto mortais que rendem uma sequência de ação eletrizante.

Marshall imprime suas próprias características no longa e faz o melhor possível para proporcionar um filme adequado de ação e fantasia. E o elenco colabora. Johnny Depp e Geoffrey Rush estão divertidos como sempre, embora eles não tenham muito tempo juntos em cena. Mas, quando estão juntos, o filme ganha uma vitalidade especial. Ian McShane e Penélope Cruz são adições bem-vindas à tripulação. O vilão de McShane é ótimo; seu Barba Negra é simplesmente mal e deixa transparecer isto em cada momento de cena, sem a necessidade de quilos de maquiagens e efeitos especiais. Já Cruz fica um pouco apagada em alguns momentos, mas dá um carisma especial para uma personagem facilmente corruptível pelo facilmente corrupto (ou nem tanto) Jack Sparrow. Um destaque especial é a química entre o religioso Phillip (Sam Claflin) e a sereia Syrena (a belíssima Astrid Berges-Frisbey) — as dualidades entre bom e mau, integridade e crueldade, fé e magia são exploradas na subtrama destes dois personagens de forma singela, o que torna a relação entre eles agradável e bonita de se acompanhar. Para coroar, a trilha sonora de Hans Zimmer continua soberba, capaz de causar arrepios cada vez que surge a canção tema de Sparrow, “He’s a Pirate”, que já é uma marca da série.

Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas é mais dinâmico que os anteriores, com maquinações que se desenrolam rapidamente e se confundem com outras às vezes, mas que, ainda assim, não atrapalham o todo. No fim, é uma aventura livre de um número exagerado de personagens e muitas tramas em movimento simultaneamente. Este quarto filme é um bom retorno às origens e tem grandes chances de evoluir para uma nova série, já que mais dois filmes são planejados. Piratas do Caribe continua um filme muito divertido de se ver. Longa vida a Jack Sparrow! YO-HO!

PS: No final dos créditos de Piratas do Caribe 4 existe uma cena adicional. Fique até o final e divirta-se mais um pouco.

Nível Heroico

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