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Padre

Padre

Padre (Priest, 2011) é um filme peculiar que mescla faroeste, vampiros e futuro cyberpunk — uma combinação ousada que poderia dar certo… ou não.

O longa é baseado numa HQ coreana criada por Min-Woo Hyung, que foi publicada em 2006 no Brasil pela Editora Lumus. O personagem principal do quadrinho é um padre que libertou um anjo caído, fato que resultou em sua própria morte e na de sua amada. Para se vingar por seu amor perdido, o protagonista vende sua alma para um demônio e volta à vida com poderes sobrenaturais para enfrentar o anjo caído. No filme, porém, a história foi completamente modificada: Paul Bettany (de O Código Da Vinci, 2006, e Legião, 2010) é um padre que deserda de sua congregação religiosa para caçar uma horda de vampiros que sequestrou sua sobrinha. Maggie Q (Missão Impossível 3, 2006) interpreta uma sacerdotisa enviada para caçar o padre, mas que acaba se aliando a ele, e Cam Gigandet (Crepúsculo, 2008) faz um jovem xerife meio-vampiro que também se une à caçada. Scott Charles Stewart é o diretor que, em 2010, trouxe para as telas um filme de ação apocalíptico sobre anjos chamado Legião, também estrelado por Paul Bettany, que era um agente de Deus que se rebelava e enfrentava uma guerra contra seres sobrenaturais. Em 2011, surge Padre e, mais uma vez, Bettany é um agente de Deus que se rebela e enfrenta uma guerra contra seres sobrenaturais. Saem os anjos, entram os vampiros. Porém, há de se ressaltar uma curiosidade apocalíptica: Legião foi um dos piores filmes de 2010, segundo público e crítica, e a HQ que inspirou Padre é primordialmente uma história sobre anjos, mas que neste longa foi abstraída em prol de uma história diferente e com outras criaturas. Dá a impressão que o diretor Stewart e seu roteirista optaram por substituir os anjos pelos vampiros para evitarem o desgaste provocado pelo longa anterior e, obviamente, para pegar carona na moda atual que infesta o cinema de sanguessugas. Foi uma ideia esperta e, a princípio, criou uma certa empolgação em torno de Padre, mas, no fim, o filme ficou só na ação futurista dedicada a desligar o cérebro dos espectadores durante rápidos 80 minutos.

Apesar da influência de quadrinhos coreanos, o clima de horror e fantasia torna-se apenas um trampolim para criar uma franquia de filmes sobre vampiros. Padre carrega uma atmosfera mais simples de sequestro e recuperação do que de um universo alternativo sombrio onde a salvação e a paz são ilusões inquestionáveis criadas para manter a população sob controle. Qualquer discussão filosófica e intelectual, que poderia adensar a trama e fugir do lugar comum, é apresentada da forma mais rasa e convencional possível a fim de manter uma narrativa ágil e sem grandes pretensões. Não é uma coisa ruim, mas também não é algo inspirador. Para uma produção que intenciona tornar-se uma franquia maior, vide o final que deixa claro a possibilidade de uma continuação, faltou um pouco de ousadia por parte do diretor e do roteirista Cory Goodman.

Outra questão do longa é a ação. A ação tem como objetivo principal divertir e, nesse quesito, é bem explorada, considerando toda a possibilidade existente num confronto fantástico entre indivíduos com poderes sobrenaturais. Visualmente, Stewart aproveita o material que tem em mãos, usufruindo até mesmo da simplicidade do roteiro. Porém, dois problemas ainda são perceptíveis. Primeiro, a rapidez do filme, em algum momento, descamba para a pressa em resolvê-lo em seu curto espaço de tempo. Eventualmente, a ação é reduzida por causa disso, o que atrapalha os momentos que deveriam ser mais empolgantes. Segundo, o recurso de câmera lenta (sempre ele!) quebra o ritmo das sequências de ação. Infelizmente, os diretores, principalmente os novatos, ainda insistem em abusar da câmera lenta e dificilmente acertam com ela.

Na interpretação, o destaque fica mesmo para Paul Bettany. O ator desenvolve seu padre com a frieza e a fúria que a atmosfera exige e não comete excessos. Os demais atores fazem o possível por seus personagens, mas, no geral, se perdem nas armadilhas do roteiro.

Padre termina como uma colcha de retalhos amarrada por vários gêneros e referências. É faroeste, futuro pós-apocalíptico, horror e fantasia. E tem vampiros. Ainda que tente emular o charme vampírico construído por clássicos como Nosferatu (1922) e Drácula de Bram Stoker (1992), o filme traz mais semelhanças com Um Drink no Inferno (1996) e Vampiros de John Carpenter (1998), salpicado com doses de Mad Max (1979) e até mesmo o recente O Livro de Eli (2010). No fim, era uma história com potencial, mas que esbanjou apenas palidez.

Nível Básico

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  • Murilo

    achei que esse filme também lembra MUITO o livro Bento do autor André Vianco… o livro é bem melhor, claro…
    O André Vianco escreve livros sobre vampiros, mas suas histórias são excelentes….os livros desse cara me prendem do começo ao fim e ele é brasileiro… eu daria pro filme nota 3 numa escala de 0 a 5 …já pro livro que citei 5, rsrs…

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