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Velozes e Furiosos 5: Operação Rio

Velozes e Furiosos 5

Velozes e Furiosos nunca foi uma franquia reconhecida por ser uma obra-prima e, realmente, não é. Porém, sempre teve seus méritos e soube bem como explorá-los para atrair seu público-alvo. Com isso, ganhou os fãs que tem hoje. Velozes e Furiosos 5: Operação Rio (Fast Five, 2011) não foge desta base, mas tenta ir um pouco além, ao prestigiar aqueles que levaram Velozes e Furiosos ao sucesso — os fãs. A grandeza desta sequência é, ao contrário do que acontece com a maioria das continuações, não negar o que veio antes. Apesar de trabalhar com uma ordem cronológica deturpada — Velozes e Furiosos 3 (2006), na verdade, se passa depois de todos os outros filmes, inclusive do quinto —, o longa recupera personagens e referências dos seus predecessores e abraça a continuidade da história. Para os fãs que acompanham esta saga desde o início, será provavelmente uma experiência gratificante.

A trama dá seguimento aos eventos de Velozes e Furiosos 4 (2009). O ex-agente federal Brian O’Conner (Paul Walker) e Mia Toretto (a brasileira Jordana Brewster) armam um plano ousado para livrar Dominic Toretto (Vin Diesel) da cadeia. Eles fogem para o Rio de Janeiro, onde pretendem executar um último serviço para conquistar a liberdade. Porém, eles batem de frente com Hernan Reyes (Joaquim de Almeida), um homem de negócios corrupto que controla o crime na cidade. Além disso, precisam lidar com o implacável agente federal Hobbs (Dwayne “The Rock” Johnson), que nunca falhou em capturar seus alvos. Para conseguirem sua liberdade verdadeira, Dom e Brian preparam para o tudo ou nada contra seus adversários e, para isso, reúnem uma equipe de peso, egressa dos filmes anteriores: Roman Pierce (Tyrese Gibson) e Tej (Ludacris), de +Velozes e +Furiosos (2003); Han (Sung Kang), de Desafio em Tóquio; Gisele (Gal Gadot), Leo (Tego Calderon) e Santos (Don Omar), de Velozes 4.

Apesar das referências nostálgicas, Velozes 5 é diferente dos outros. Ao invés da mistura de cultura underground de corridas com suspense policial, o longa parte para uma premissa mais direta e enxuta. O diretor Justin Lin parece ter se inspirado em Onze Homens e Um Segredo (2001) para compor a dinâmica de seus personagens, uma vez que ele consegue juntar várias personalidades diferentes (e de momentos diferentes) em cena para uma situação de roubo. Ele perde menos tempo exaltando os carros ou as corridas e dá mais atenção para os personagens e suas relações, não simplesmente jogando rostos conhecidos como chamarizes. Pode não parecer importante, mas a química e a descontração dos personagens em cena faz com o público se sinta como quem revê velhos amigos. O trio principal se sai bem e o acréscimo de Dwayne Johnson dá peso. Todos eles fazem o necessário para aprofundar os personagens, uma vez que este parece ser um dos principais objetivos do filme, ainda que a qualidade de atuação seja rasa para muitos deles. Uma cena interessante é a que Vin Diesel e Paul Walker discutem as relações com seus respectivos pais. É até bonito ver a contradição que se estabelece entre ambos e que expressa uma ideia bastante comum na série — não existem mocinhos e vilões definidos, seja no cinema, seja na vida. No primeiro longa, Diesel falou sozinho sobre o morte do pai, mas neste ele fala sobre a vida, o que acrescenta ainda mais impacto a relação de Brian e Mia, já que ela está esperando um filho e Brian não sabe se será um bom pai. Além disso, curiosamente, Diesel parece lamentar mais a morte de Letty (Michelle Rodriguez) neste filme do que no quarto, quando ela morreu, o que torna ainda mais interessante a ligação estabelecida com o passado da franquia.

O elenco

As sequências de ação são exatamente o que se espera de Velozes e Furiosos, afinal, são a força motriz da série. As cenas tentam (apenas tentam) manter algum pé na realidade, com acidentes realistas, destruições, vidros quebrados, tiroteios e cenas de luta de esmigalhar ossos. A forma como a ação é conduzida pelo roteiro, no entanto, exige o limite máximo de suspensão de descrença que qualquer ser humano seria capaz de ter; exige a capacidade de sorrir e acenar para cada insanidade que surge na tela. Desde o roubo do trem no meio do deserto (sim… existe um deserto no meio do Rio de Janeiro e é algo realmente muito difícil de ignorar para um carioca) até o inacreditável clímax, passando pela tensa perseguição a pé em que os personagens correm e se enfrentam pelos telhados de uma favela. Aliás, a sequência final, que culmina numa Ponte Rio-Niterói falsa, é espetacular, de longe a melhor arte do filme. Ainda temos um esperado duelo de testosterona entre Vin Diesel e The Rock, que não decepciona.

Velozes e Furiosos 5 é uma produção que vem gerando polêmica, especialmente entre os brasileiros. O motivo é a forma como o Rio de Janeiro é mostrado, apontada por muitos como um demérito grotesco à imagem do Brasil no exterior… será mesmo?! O problema é que estes muitos se esquecem da proposta principal da série. Um dos grandes valores de Velozes e Furiosos é que os seus personagens subvertem a lei e vivem mais no lado da criminalidade do que da justiça. O crime é um ponto-chave da história e é exacerbada, independente do cenário ser Rio de Janeiro, Los Angeles, México ou República Dominicana. Muitos falam sobre o retrato extremamente corrupto da polícia do Rio de Janeiro em Velozes 5, mas, se conhecem os outros filmes, devem lembrar que em Velozes 2, o bandido atuava em cima de uma brecha criada por policiais corruptos de Miami. Velozes e Furiosos não é e nem nunca foi um filme a ser analisado por sua verossimilhança, mas sim, pela diversão que é capaz de proporcionar ao público e, neste quesito, nunca deixou a desejar. Para os brasileiros (cariocas, principalmente), Velozes e Furiosos 5 pode causar estranheza e incômodo, mas, se visto com a mente aberta, poderá ser apreciado como aquilo que realmente é — ação pela ação, despretensiosa e descerebrada.

PS: No meio dos créditos de Velozes e Furiosos 5, existe uma cena adicional que prepara o terreno para Velozes e Furiosos 6 e conta com mais uma participação vinda de outros filmes da franquia.

Nível Heroico

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