Cinema

Eu Sou o Número Quatro

Eu Sou o Número 4

Nestes tempos de filmes como Crepúsculo (2008), histórias juvenis despertam algum temor quando são anunciadas no cinema. Principalmente quando são adaptadas de livros. Eu Sou o Número Quatro (I Am Number Four, 2011) é baseado no livro homônimo de Pittacus Lore (pseudônimo de James Frey) e, ao contrário do que se poderia esperar, é uma agradável surpresa. Na verdade, uma forma de descrever o filme é como uma versão contemporânea de A Montanha Enfeitiçada (1975), que inclusive já ganhou uma refilmagem em 2009. Todavia, Eu Sou o Número Quatro também lembra muito o seriado Roswell (1999) e, inclusive, se apropria de alguns clichês que foram comuns na série de TV.

O filme, dirigido por D.J. Caruso (de Paranóia, 2007), conta a história do Número Quatro (Alex Pettyfer), um dos nove alienígenas de Lorien que se refugiaram na Terra após seu planeta ser devastado pela raça dos Mogadorians. Os Mogs, como os inimigos também são chamados, estão na Terra caçando e assassinando cada um deles, mas precisam matá-los em ordem. Três já foram mortos e, agora, chegou a vez do Número Quatro. Para evitar os perseguidores, Número Quatro foge pelo mundo junto com seu tutor Henri (Timothy Olyphant) e acaba chegando em Paradise, Ohio. Lá, ele apresenta-se como John Smith, nome que inspira desconfiança nos habitantes do local. Número Quatro tenta se misturar e passar despercebido, mas acaba se envolvendo com Sarah (Dianna Agron) e torna-se amigo de Sam (Callan McAuliffe), um nerd aficionado por ufologia. Porém, os Mogs estão em seu encalço e ele precisa lidar ainda com seus poderes, chamados legados, que começam a se manifestar repentinamente.

A trama é básica e apresenta muitos clichês típicos das histórias de adolescentes e de alienígenas. Porém, em alguns momentos, desconstrói ideias estereotipadas e surpreende o público de forma descontraída. O romance está lá e boa parte do começo é usado para construir a relação entre o mocinho e a mocinha. Este romance, no entanto, não é meloso e exagerado como se tornou comum atualmente, mas algo que surge naturalmente entre duas pessoas que acabaram de se conhecer. Na verdade, a primeira metade do filme é uma grande introdução para os personagens. No entanto, o roteiro é simples em conteúdo e poderia ter sido consideravelmente reduzido em tempo de execução. Existem também algumas lacunas na lógica dos acontecimentos, como no final quando John e Sarah vão à escola para verem fotos quando estão sendo perseguidos pelos Mogadorians. Além disso, como é adaptação do primeiro livro de uma série que já conta com duas publicações e pode ter mais, deixa várias pontas soltas para possíveis continuações. São coisas que podem incomodar.

Todavia, como um todo, Eu Sou o Número Quatro cumpre bem aquilo que se propõe. A segunda metade do longa é que realmente empolga. Depois de desenvolvidas às relações entre os personagens, o enredo avança e ganha agilidade. Quando é ação acontece… é eletrizante. Os efeitos especiais são muito bem feitos e as cenas são altivas e estilizadas — a produção de Michael Bay (de Tranformers, 2007) provavelmente tem alguma influência nisto. A sequência final ainda é acompanhada pelo surgimento da Número Seis (Teresa Palmer), que apesar do tempo curto em cena, chuta traseiros como ninguém e demonstra todo o potencial dos legados de um escolhido de Lorien.

No mais, a trama se desenvolve bem, com algumas boas piadas e algumas inovações. As atuações são razoáveis. Alex Pettyfer (de Alex Rider Contra o Tempo, 2006) não faz feio e Timothy Olyphant está seguro como sempre. Callan McAuliffe rende bons momentos com sua obsessão nerd por alienígenas. As atrizes são lindas e carismáticas, mas não evoluem muito, embora Teresa Palmer mereça algum destaque, já que seu aproveitamento baixo é uma imposição do roteiro, que deve privilegiar sua personagem no futuro.

Eu Sou o Número Quatro não é uma obra-prima, mas diverte com seu humor leve, seu clima sutil de sci-fi e sua ação satisfatória. Ainda é uma história que usa a ficção-científica para falar sobre as descobertas da adolescência e as responsabilidades que vêm depois dela, sem que isto soe maçante para o público. No fim, ainda cria uma expectativa em torno da personagem Número Seis, que provavelmente ganhará mais destaque numa possível continuação, se levarmos em consideração o nome do segundo livro — O Poder de Seis. Confesso que fiquei animado com a perspectiva de ver mais da Número Seis nas telas.

Nível Heroico



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  • http://dicaaleatoria.wordpress.com/ Carolina Souza

    Exatamente. Fui ao cinema vê-lo sem grandes expectativas e me surpreendi.

    • http://www.nivelepico.com/ Alan Barcelos

      Eu também não tinha expectativa nenhuma. =)

  • Murilo

    nossa, no começo pensei que seria mais um desses filmes bobos de adolescente norte americano…mas me surpreendi também, rsrs…

    só assisti pq meu irmão tinha visto e disse que era muito louco… tbm gostei da performance da Numero 6 ! opa, da performance e da atriz tbm mto show a loirinha…

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