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Incontrolável

(Texto postado originalmente no Almanaque Virtual em 05/01/2011).

Incontrolável

Incontrolável (Unstoppable, 2010) é um filme marcado pelo heroísmo, mas não daqueles heróis repletos de super poderes das histórias fantásticas. Os heróis aqui são meros mortais que, altruístas, decidem que precisam fazer alguma coisa antes que um terrível desastre aconteça. A história é levemente inspirada num fato real: o Incidente CSX 8888, ocorrido em 2001 nos Estados Unidos.

No longa, a ficção é adequadamente implantada ao acontecimento real para dar dinamismo à trama e muitas liberdades criativas são tomadas. Assim, entram em cena Frank Barnes (Denzel Washington) e Will Colson (Chris Pine). Barnes é um engenheiro experiente designado para acompanhar Colson, recentemente contratado como condutor, em seu primeiro trabalho operando uma locomotiva. No caminho, apesar dos desentendimentos, eles se unem para evitar que uma cidade seja destruída por um trem desgovernado em alta velocidade e carregando em seus vagões produtos altamente tóxicos. O enredo transita entre vários núcleos, mostrando os pontos de vista e as implicações do evento para cada envolvido: Frank e Will, atraídos inadvertidamente para aquela situação por causa da incompetência de dois funcionários preguiçosos; e Connie Hooper (Rosario Dawson), a responsável pelo centro de controle que tenta evitar uma desgraça maior, mas acaba batendo de frente com os interesses dos poderosos de sua própria empresa, que estão mais preocupados com um impacto financeiro do que com um ambiental.

O desenrolar e o desfecho são previsíveis, mas não nos priva da emoção. O diretor Tony Scott, repetindo sua parceria com Denzel Washington, mantém a tensão com habilidade e segura o interesse (e o fôlego) do espectador até o último minuto. As atuações garantem a fluidez da história, com destaque para a química entre Washington e Pine; os dois atores estão ótimos em seus papéis. O bom desempenho de Chris Pine é uma grata surpresa e mostra que ele é muito mais do que somente o Capitão Kirk, do novo Star Trek (2009). Já Denzel Washington está incrível; o talento e a presença do ator na tela são inegáveis.

As cenas de ação são outro ponto forte. É notável o tino de Tony Scott para a ação e, não obstante, ele ainda acrescenta um forte apelo estético às cenas. Os planos, os enquadramentos, os cortes de câmera e o aspecto geral do longa tornam a experiência cativante e, inclusive, amenizam alguns clichês do roteiro. O diretor já mostrou essa competência em outro filme: no recente Sequestro do Metro 1 2 3 (2009), cuja história não é muito diferente de Incontrolável e também traz Denzel Washington como protagonista. Além disso, é impressionante a sensação de perigo que Scott transmite através de suas tomadas dos trens. Antes mesmo de acontecer o desastre, somos alarmados pelo cuidado exigido na operação de cada uma daquelas máquinas monstruosas. Em Top Gun (1986), Tony Scott vivenciava o drama dos pilotos; em Incontrolável, vivencia o dos maquinistas.

O roteiro não se aprofunda muito além, mas nos apresenta um drama de ação eficiente e emocionante. No fim, é uma história de valor e coragem; de dois homens que se tornam heróis.

Você vai sair do cinema enobrecido ao perceber o quão corajoso um ser humano pode ser.

Nível Exemplar



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