Cinema

Besouro Verde

(Texto postado originalmente no Almanaque Virtual em 17/02/2011).

Besouro Verde

Besouro Verde (The Green Hornet, 2011) é um caso comum na indústria hollywoodiana atual; uma história que transpõe um herói dos quadrinhos para a telona. Porém, o resultado cinematográfico de histórias pouco conhecidas ou difundidas geralmente deixa a desejar, talvez justamente pela falta de real preocupação em fazer algo que vá além da fama rasa que o personagem já carrega. Foi assim, por exemplo, com: Rocketeer, O Sombra, O Juiz, Elektra e o recente Jonah Rex. Sim, existem sucessos… Blade, Hellboy, Kick-Ass e Scott Pilgrim são provas disto. Mas, infelizmente a realidade não contempla uma maioria bem-sucedida. Besouro Verde não é exceção. Simplesmente, não consegue arrancar empolgação. É apenas um filme mediano que vai facilmente ser esquecido ao final da sessão, exatamente como acontece no fim de uma Sessão da Tarde.

Besouro Verde, no entanto, não é um personagem completamente desconhecido do grande público, mas é pouco difundido. Poucas pessoas atualmente sequer ouviram falar do personagem e, se ouviram, no máximo sabem que no passado existiu uma série com o herói que tinha Bruce Lee como co-protagonista. O nome do ator que fazia o Besouro Verde, sem olhar no Google, alguém lembra? Agora, uma pergunta sobre o Batman provavelmente será respondida com rapidez e veemência. De fato, o Batman é um dos motivos para o baixo índice de conhecimento sobre o Besouro. A série supracitada com Bruce Lee competia com o Batman de Adam West, logo, não durou mais do que uma temporada.

A trama, criada para um programa de rádio em 1936, narra as aventuras do milionário Britt Reid, que é editor do jornal “O Sentinela Diário” e vigilante mascarado, sempre acompanhado de seu fiel mordomo, motorista e faz-tudo Kato. Na película, o Britt de Seth Rogen é mimado e irresponsável e resolve se tornar combatente do crime unicamente para afrontar a memória de um pai que nunca lhe respeitou (ou seja, drama clichê). Logo, ele se une ao Kato de Jay Chou e, de posse das maravilhas mecânicas mirabolantes construídas pelo mordomo, Britt torna-se o Besouro Verde. A introdução é arrastada demais, estendida talvez numa tentativa vã de criar empatia com os personagens. De fato, Jay Chou não é nenhum Bruce Lee e Seth Rogen, infelizmente, parece forçado e apagado demais num papel que deveria ser o principal da fita. O destaque fica por conta de Christoph Waltz (o Hans Landa, de Bastardos Inglórios, 2009), que concede carisma ao chefão do crime Chudnofsky, um bandido com crise de meia-idade que quer apenas causar medo nas pessoas; o vilão rende as cenas mais engraçadas do filme, especialmente a do prólogo, com participação especial de James Franco. No mais, temos Cameron Diaz como Lenore, sem qualquer relevância para o enredo.

O longa é dirigido por Michel Gondry com um desempenho inferior ao que ele já mostrou capaz em Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2004) e Rebobine, Por Favor (2008). As cenas de ação emulam a inventividade brega dos anos 60, mas falham na utilização excessiva (e desnecessária) da câmera lenta. Ainda aguardo ansiosamente pelo momento quando os diretores de cinema perceberão que a câmera lenta é uma técnica ultrapassada que só retarda a ação e o dinamismo do filme.

O roteiro ficou a cargo do próprio Seth Rogen e de Evan Goldberg, que já trabalharam juntos em Superbad (2007). Eles, considerando o pouco conhecimento do grande público acerca do herói, fazem um bom trabalho ao tentar condensar a mitologia do personagem de uma forma rápida e simples, mas pecam ao tentar escrever muita coisa ao mesmo tempo, o que provoca uma correria confusa (e enfadonha) na segunda metade do filme. Além disso, muitos diálogos são inúteis. Soma-se a tentativa de transmitir emoção na amizade entre Britt e Kato, que, a despeito do esforço, não convence. Besouro Verde é uma história sobre os valores da amizade, sobre a importância de respeitar um amigo e até mesmo fazer sacrifícios por ele; uma temática parecida com a de Superbad, mas explorada sem a mesma expressão. O filme tinha potencial para ir além das adaptações de quadrinhos convencionais, mas acaba sendo mais uma demonstração de produto que nada acrescenta ao repertório cinematográfico do gênero. Uma pena.

PS 1: No Brasil, há uma curiosidade sobre a tradução do nome do personagem. O nome original, “Green Hornet”, se traduzido literalmente, seria algo como “Vespa Verde”; por isso, não estranhe se você reparar que o símbolo do herói martelado ao longo de todo o filme parece uma vespa e não um besouro. É por isso também a alusão que o herói faz sobre os inimigos serem ferroados.

PS 2: O 3D é totalmente dispensável.

Nível Básico



Compartilhe este Post

Posts Relacionados



  • Jorge

    Legal saber que às vezes a indústria americana ressuscita alguns dos personagens da ”nossa época”… Bons e velhos tempos… ainda mais qd se trata de Bruce Lee… Vamos vera performance do novo ‘besouro’…

    • http://www.nivelepico.com/ Alan Barcelos

      Pois é Jorge, é bom que a indústria tente ressuscitar personagens clássicos. Um pena que, geralmente, a indústria não lhes dá o devido respeito.

      Infelizmente, Besouro Verde não é um bom filme e não faz jus ao seriado antigo, nem aos quadrinhos (principalmente os novos quadrinhos). Esse foi uma bola fora.

      Obrigado pelo comentário.

  • Arthur

    Excelente comentário sobre o filme. Vi e detestei. Uns dos piores filmes que perdi tempo em assistir. 3D totalmente dispensável. Atores sem sal. Atuações péssimas! Cameron Diaz velha e sem sensualidade. Muito ruim!!

  • http://twitter.com/LeAG1977 Leandro Arona

    Pode até ter um roteiro franco, mas é um filme muito divertido por ser descompromissado, de um certo modo.

Inscreva-se no Canal

Resenhas Populares

Rogue One: Uma História de Star Wars

Rogue One: Uma História de Star Wars

It: A Coisa

It: A Coisa

Planeta dos Macacos: A Guerra

Planeta dos Macacos: A Guerra

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Raw

Raw

Siga no Bloglovin’

Follow

Vem Com a Gente

Curta e Compartilhe

Aperte o Play

Nível Épico em Imagens