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Tron: O Legado

Tron: O Legado

Tron: O Legado (Tron: Legacy, 2010) é a esperada continuação de Tron: Uma Odisséia Eletrônica, produção de 1982 que revolucionou os conceitos do cinema da época com seus efeitos especiais arrojados e seu estilo único. Naquela época, computadores, videogames e hackers eram palavras pouco conhecidas entre as pessoas e a informática estava ainda dando seus primeiros passos na história humana. Tudo era muito rústico, mas Tron foi capaz de tecer uma realidade própria em cima deste misticismo e trouxe para a mente das pessoas idéias sobre as possibilidades daquele mundo de programas e dados. Para a época, sua qualidade era realmente inquestionável.

Então, 28 anos depois, uma continuação foi anunciada. Não seria um reboot nem um remake, mas um presente para aquela geração que se envolveu com o filme e que hoje desfruta de uma realidade na qual o sonho de Tron tornou-se palpável. Acima de tudo, os fãs teriam o prazer de rever aquele mundo nas telas, desta vez com as possibilidades que a tecnologia atual pode proporcionar. Tron: O Legado não é simplesmente uma continuação, mas uma atualização. Mais do que isso, é uma evolução, da mesma forma que a humanidade evoluiu de 1982 até agora.

Tron: Uma Odisséia Eletrônica foi o primeiro filme que assisti num aparelho de VHS e marcou minha infância como marcou uma geração. Logo, como fã, não tenho dúvidas em afirmar que Tron: O Legado é MARAVILHOSO.

Nesta aventura, o protagonista é Sam Flynn (Garrett Hedlund), filho de Kevin Flynn (Jeff Bridges), o personagem central da versão anterior. Um dia, Kevin desapareceu sem deixar vestígios e Sam, em busca de informações sobre o paradeiro de seu pai, acaba sendo acidentalmente transportado para a Grade, o feroz mundo virtual onde programas vivem sobre leis pesadas e disputam terríveis jogos. Lá, descobre seu pai, preso há anos por causa da traição de Clu (Jeff Bridges, rejuvenescido digitalmente), o programa que ele criou e outrora foi seu aliado, mas que agora ditava as regras na Grade. Com a ajuda da guerreira Quorra (a sempre linda, gloriosa e estonteante Olivia Wilde), pai e filho se unem para tentar sobreviver aquele mundo cibernético muito mais avançado e extremamente perigoso.

Esta nova versão é produzida pelo criador da série, Steven Lisberger, e dirigida por Joseph Kosinski, que faz um trabalho ótimo ao modernizar a ideia básica do primeiro. A fotografia é trabalhada de forma soberba e mantém sempre o clima sombrio para o ambiente digital desprovido de sol. Até no mundo real o tom é noturno, com a claridade do dia surgindo somente na cena final como um retrato da nova era que estava para chegar ao mundo. Já os efeitos visuais estão simplesmente espetaculares, de deixar queixos na plateia dormentes. O design original foi mantido e incrementado com luminosidades e formas arredondados dignas da concepção estética atual, inclusive com referências claras à gigante tecnológica Apple.

A belíssima Quorra

Outro efeito esplêndido é o rejuvenescimento digital de Bridges para o vilão Clu, usado anteriormente em O Curioso Caso de Benjamim Button (The Curious Case Of Benjamin Button, 2008), mas aprimorada neste longa, apesar do eventual aspecto falso (o que, para um ser digital, é até considerável). Não obstante, as sequências de ação são de tirar o fôlego, principalmente nos duelos na Grade. Os combates com discos e os confrontos com as marcantes lightcycles são mais arriscados e engenhosos e são uma representação perfeita dos atributos visuais e sonoros trabalhados na película. Diversão garantida.

Para completar, o som é impecável graças à dupla Daft Punk, cujo estilo eletrônico não só dá vida ao mundo cibernético como também remete claramente à trilha sonora da versão de 82, estimulando uma certa nostalgia nas cenas. A música dos créditos finais, Derezzed, é empolgante. Aliás, a dupla também faz uma ponta no filme, como os DJ’s mascarados no bar onde somos apresentados ao personagem Castor.

A história e os personagens, no entanto, denotam os pontos fortes e fracos da película. Como o foco de Tron: O Legado é visivelmente a estética, a história não é suficientemente desenvolvida; muitos detalhes importantes sobre aquela realidade, desconhecidos para o público que não se lembra ou sequer viu o primeiro Tron, são pouco explorados. A Disney, responsável também pelo original, deixa claro que o filme foi, sim, feito para os fãs do universo. Mesmo assim, apesar de simples, a trama de Tron: O Legado consegue ser mais interessante e bem amarrada do que a de Uma Odisséia Eletrônica.

Já com relação ao elenco, o destaque fica para o retorno de Kevin Flynn e sua aprendiz Quorra. Jeff Bridges aparece inspirado em tela e transmite toda a sabedoria e a temperança que Flynn adquiriu, afinal ele é o criador daquele universo, quase como um deus, ainda que parado no tempo (vide suas frases antiquadas). Olivia Wilde está, como já disse antes, linda, gloriosa e estonteante; a atriz se sai muito bem mesmo com as limitações impostas pelo roteiro à personagem. Outro destaque é a interpretação excepcional de Michael Sheen como o excêntrico Castor; sua aparição na tela rende ótimas cenas. O maior demérito fica por conta de Garrett Hedlund, cujo carisma reduzido demonstra que ele não está pronto para protagonizar uma produção importante como esta. Suas frases de efeito batidas (“You got to be kidding me!”) podem ser fruto das falhas do roteiro, mas seus trejeitos não são. No quesito personagem, entretanto, existe ainda um motivo para reclamação: a aparição ínfima de Tron (Alan Bradley) e a forma como ele é trabalhado. É verdade que no primeiro longa, Tron não era a figura central e também era pouco explorado, mas neste filme, abusaram um pouco no ostracismo.

No mais, a premissa não foge muito da original: homens contra máquinas, como já foi apresentado em outras produções como: O Exterminador do Futuro (The Terminator, 1984), Blade Runner: O Caçador de Andróides (1982) e Matrix (1999). Na verdade, a própria trajetória de Tron é uma alusão a trajetória da tecnologia humana. Hoje, graças ao advento da internet e dos computadores existe uma verdadeira conexão entre homens e máquinas, algo que na década de 80 não passava de pura ficção. O mundo virtual de Tron é cruel, assim como a saturação da tecnologia pode se tornar se nos deixarmos seduzir totalmente por ela e esquecermos das pequenas características que nos fazem humanos.

No fim, Tron: O Legado não é revolucionário como seu antecessor, mas aperfeiçoa com eficiência a narrativa confusa do original e explora intensamente os efeitos que os criadores queriam desde o início, mas só com a tecnologia atual tornaram-se verdadeiramente possíveis.

O filme é um deleite para os fãs e um presente para a ficção científica.

Fica a torcida para que este legado continue.

PS: Assista em 3D. O filme alterna entre cenas 2D, no mundo real, e 3D, dentro da Grade. Não é aquele 3D de objetos sendo atirados na nossa direção, mas que aumenta a profundidade. A utilização inteligente do recurso e sua alternância em tela, com certeza, tornam a experiência ainda mais atraente.

Nível Heroico



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