Cinema

A Sétima Alma

A Sétima Alma

A Sétima Alma (My Soul To Take, 2010) traz de volta Wes Craven ao gênero que o consagrou no cinema. E, desta vez, não somente como diretor, mas também como roteirista, função que não exerce desde A Hora do Pesadelo 7: O Retorno de Freddy Krueger (Wes Craven’s New Nightmare, 1994). O renomado criador de Pânico (Scream, 1996), no entanto, mostra que não perdeu a mão e nos entrega o típico filme de terror adolescente como só ele sabe fazer. A Sétima Alma carrega a marca de seu diretor em cada detalhe.

A trama acontece na sombria cidade de Riverton, que é assombrada por lendas e pesadelos sobre o Estripador, um assassino serial com múltiplas personalidades (ou almas) que desapareceu misteriosamente, clamando que voltaria por vingança. Na noite do desaparecimento, sete crianças nasceram prematuras no hospital da cidade. Agora, no dia do aniversário de 16 anos destes jovens, o Estripador reinicia sua matança. Bug (Max Thieriot) é um dos sete adolescentes que nasceram naquela noite sangrenta. Apesar de frágil e ingênuo, o garoto parece ser a única chave para solucionar o mistério sobre o retorno do assassino e o único capaz de impedir que as mortes continuem.

A história é bastante ambígua e, assim como já fizera em Pânico e A Hora do Pesadelo, Craven cria uma mitologia para desenvolver seus personagens. Neste caso, inspirada numa canção infantil de onde foi retirado o nome original da fita e cujo refrão é bastante citado no roteiro: “Now I lay me down to sleep, I pray the Lord my soul to keep. If I should die before I wake, I pray the Lord my soul to take”. Temos ainda lendas sobre o vodu haitiano e sobre o condor, uma ave de rapina americana semelhante ao urubu. A fórmula básica dos filmes slasher também está lá: montar um elenco de jovens de boa aparência e matá-los um por um. E isto, o diretor sabe fazer como ninguém.

Os atores desempenham seus papéis com eficiência e representam bem a angústia de uma alma adolescente imersa não só na violência física, mas também psicológica, prestes a crescer, porém incapaz de compreender exatamente o que é e aonde deseja chegar. O conflito de personalidades trabalhado no filme mostra o quanto a falta de confiança e a superexposição às influências da adolescência pode facilmente levar um jovem a perder o controle. Logo, cabe a ele mesmo decidir o que deve fazer de sua vida… se quer ser o herói ou o vilão. Neste quesito, destaco as atuações do protagonista e da atriz Emily Meade, que interpreta a valentona Fang.

O filme, no entanto, não está isento de falhas. A profusão de informações lançadas na história é uma delas; são tantas, que as mortes, quando começam efetivamente a acontecer, são apressadas. Por um lado, a impressão é que de tanto construírem uma atmosfera esqueceram que as mortes precisavam acontecer para dar continuidade a trama. Por outro, as mortes são mostradas de forma mais sutil, evitando aquelas as correrias e perseguições exageradas tão comuns no gênero (embora isto também possa ser um artifício para aliviar a censura). Outro problema é a quantidade de diálogos expositivos, que, muitas vezes, acabam se repetindo. A mitologia criada por Craven é supersaturada na tela e, por isso, alguns personagens, incluindo o próprio assassino, são pouco desenvolvidos. Além disso, o modo como as relações de alguns personagens ficam em aberto é incômodo.

Apesar disto, A Sétima Alma tem charme. Anos atrás, filmes como Pânico e Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado (I Know What You Did Last Summer, 1997) enalteceram e redefiniram o gênero slasher no cinema, mas muitos outros fracassaram desde então. A Sétima Alma bebe desta mesma fonte e tenta recuperar um pouco do conceito para o público moderno. Não é excepcional, mas vale o divertimento. Ainda não é o retorno triunfal de Wes Craven, mas Pânico 4 está vindo aí… e é bom saber que ele está de volta.

Nível Heroico



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