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RED: Aposentados e Perigosos

RED – Aposentados e Perigosos

RED – Aposentados e Perigosos (RED, 2010) é mais um filme baseado numa história em quadrinhos. Mas, provavelmente, você não sabia disso até chegar na sala do cinema e ver o logo da DC Comics estampado na tela. RED é uma HQ escrita pelo ótimo (e pouco ortodoxo) Warren Ellis e desenhada por Cully Hamner, porém, o quadrinho tem pouca relação com o longa dirigido por Robert Schwentke, de Plano de Vôo (Flightplan, 2005). Na verdade, o filme se apodera da história do protagonista, Paul Moses (que aqui tem seu nome mudado), para contar sua própria história. Os motivos, para isso, não são muito difíceis de imaginar. Primeiro, porque a trama do quadrinho é seca e violenta, o que possivelmente reduziria a abrangência do público. Segundo, porque a HQ possui somente três volumes, ou seja, é uma história muito curta que precisava caber em duas horas de fita.

Isso, no entanto, não significa que o filme é ruim. Pelo contrário, RED agrada, do seu jeito. Tem suas falhas, mas é divertido.

O enredo acompanha a saga de Frank Moses (o sempre Duro de Matar Bruce Willis) que abandona bruscamente sua aposentadoria em busca de vingança quando sua casa é atacada por um grupo de operativos da CIA. Em sua defesa, ele busca ajuda de antigos (e excêntricos) companheiros e acaba envolvido numa trama complexa de queima de arquivo. Contudo, ele tem que lidar ainda com a temperamental Sarah Ross (Mary-Louise Parker), uma telefonista do seguro social com quem ele trocava conversas românticas que acaba envolvida na perseguição.

A agilidade e as cenas de ação garantem um bom ritmo ao longa, com muito tiroteio e demonstrações de habilidades excepcionais ao estilo 007 salpicados com piadinhas e gags que quebram um pouco a tensão da intriga típica de filmes de espionagem. Em alguns aspectos, lembra a dinâmica de O Procurado (Wanted, 2008), filme de ação também baseado numa HQ. A edição não é perfeita e peca em alguns momentos pela rapidez excessivo entre uma sequência e outra, principalmente com aquelas dispensáveis transições com cartões portais, mas não atrapalha o todo.

O maior mérito de RED, no entanto, são seus Retired Extremely Dangerous, ou seja, os Aposentados Extremamente Perigosos que dão nome à história.

Neste embate de espiões, os personagens são o ponto alto, conduzidos com maestria por um elenco afinado. Bruce Willis é o cara da ação e continua o badass motherfucker que acaba com todos os vilões em sequências inacreditáveis. Porém, aqui, ele tem sua carga bastante suavizada pelo ímpeto e jovialidade de Mary-Louise Parker, que consegue, às vezes, ser ainda mais durona do que Willis. Ambos estão ótimos em seus papéis e garantem a química entre seus personagens. Nada se compara, entretanto, às atuações de John Malkovich e Helen Mirren, que brincam em cena como o tresloucado Marvin Boggs e a elegante assassina Victoria. Aliás, são deles as cenas mais impagáveis da película: ele com seu porquinho de pelúcia rosa contra uma agente que o chama de velho (não vou dizer mais, porque é spoiler) e ela, uma verdadeira dama inglesa, disparando uma metralhadora como se fosse a coisa mais natural do mundo — isso só para citar duas cenas.

Temos ainda as participações especiais de: Morgan Freeman, meio apagado como Joe Matheson; Brian Cox, como o engraçado ex-espião russo Ivan Simanov; Richard Dreyfuss, no papel do ambíguo traficante de armas Alexander Dunning; e, por fim, Karl Urban, como o agente William Cooper. Este último demonstra com firmeza porque está no melhor momento de sua carreira. Urban está perfeito como o antagonista que bate de frente com Willis. Ele é a exata representação do discurso por trás da trama: a substituição do velho pelo novo. A trajetória de rivalidade entre os dois ao longo da trama deixa claro porque o velho não pode ser apagado e, mais do que isso, porque deve ser respeitado.

Em suma, RED cumpre muito bem o seu papel. Não é igual a HQ e nem precisa, pois se sustenta por si só. Não é nenhum clássico que vai entrar para a história. Mas, com certeza, é um filme de ação divertido e que merece atenção.

Nível Heroico

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