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Os Outros Caras

Os Outros Caras

Os Outros Caras (The Other Guys, 2010) é um filme engraçado e despreocupado. O diretor Adam McKay e o comediante Will Ferrell trabalham juntos mais uma vez e, como já mostraram em O Âncora – A Lenda de Ron Burgundy (Anchorman: The Legend of Ron Burgundy, 2004), mantém afinadas suas capacidades para conduzir uma boa comédia cinematográfica.

Na história, o detetive Allen Gamble (Will Ferrell) é um técnico forense que prefere trabalhar em segurança atrás de uma mesa de escritório e tem como parceiro o durão, mas ao mesmo tempo muito emotivo, detetive Terry Hoitz (Mark Wahlberg), que precisa suportar a parceria com Allen por causa de um acidente em serviço que manchou seu nome como policial. Eles são “os outros caras”, preteridos na hierarquia principalmente por causa das ações dos considerados melhores policiais da cidade, Danson e Highsmith (Dwayne “The Rock” Johnson e Samuel L. Jackson), que são idolatrados por todo o departamento de polícia. Todavia, quando investigam uma pista aparentemente sem importância, acabam ganhando a chance de mostrarem seu trabalho e talvez conseguir algum respeito.

Como já é de praxe nos filmes de McKay e Ferrell, o humor é a ferramenta que impulsiona a película e é usada da forma mais escatológica e exagerada possível, sem qualquer apego com credibilidade ou verossimilhança. E é este humor que dá o tom da fita. As gargalhadas estão garantidas. Ferrell, geralmente escrachado, está mais contido e sisudo e, mesmo com tantos nomes de peso, carrega o filme nas costas. Wahlberg, normalmente sério em seus papéis, está solto e nos apresenta um tino para comédia inesperado. Mas, é na união dos dois atores que as coisas funcionam. O primeiro tem, inacreditavelmente, uma esposa maravilhosa, gostosa e fogosa, vivida pela beldade Eva Mendes. O segundo sofre de problemas constantes com as mulheres e está sempre mal-humorado. Esta diferença entre ambos e a improbabilidade do modo como cada um leva a vida rende sequências impagáveis. O fato de Terry sempre subestimar o parceiro gera as situações mais absurdas quando ele conhece a mulher de Allen e percebe que todas as mulheres bonitas dão mole para o cara. Numa outra cena, a discussão filosófica sobre uma luta entre o leão e o atum no oceano é de uma lógica tão irreal que é difícil não rir.

Porém, eles não estão sozinhos. As participações especiais de Johnson e Jackson, como os policiais fodões que sempre salvam o dia, são hilariantes e os dois atores rendem cenas brilhantes, especialmente em seu desfecho inacreditável. Até Michael Keaton está bem. No restante, somos bombardeados com muito besteirol, improvisações, humor tipicamente macho e as gags físicas comuns aos filmes de Ferrell. O roteiro é inconstante, mas suas falhas parecem irrelevantes perante as situações bizarras que pululam a trama — o que falar da orgia de persistentes mendigos no carro novo de Allen.

No fim, McKay surpreende com uma comédia feita apenas pela comédia que ainda consegue explorar um pouco a importância da amizade, mesmo entre duas pessoas diferentes, e a consideração de que um livro nunca deve ser julgado por sua capa. Afinal, aquele cara nerd e bobão ali do canto pode estar pegando mais mulheres do que você.

PS: No final dos créditos, existe uma cena na qual Allen e Terry têm outra estranha conversa envolvendo um pato. O diálogo é uma ótima definição para o próprio filme — é legal como as palavras combinam… independente do conteúdo.

Nível Heroico

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