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Resident Evil 4: O Recomeço

Resident Evil 4: O Recomeço

Resident Evil nunca foi uma série de grande qualidade no cinema. Os dois primeiros longas foram até divertidos, mas o terceiro foi ladeira abaixo. Resident Evil 4: O Recomeço (Resident Evil 4: Afterlife) é o mais sombrio fundo do poço.

O filme é ruim… MUITO RUIM!

E não é ruim por causa de uma adaptação malfeita do universo dos games. Confesso que não me apego tanto a estes detalhes; sei que uma adaptação de game, assim como qualquer outra, é simplesmente BASEADA, não necessariamente fiel. Entendo isso, e acho que muitas produções poderiam ser melhores se não tentassem copiar descaradamente as obras originais (vide O Último Mestre do Ar). O problema aqui não está em escrotizar todo um universo, mas em NÃO SABER FAZER UMA PORRA DE UM ROTEIRO DECENTE COM ELE!

Paul S.W. Anderson, o diretor (e novamente roteirista) responsável por esta desgraça, está conseguindo atingir um status que eu considerava inatingível — equiparar-se ao diretor alemão Uwe Boll no quesito: destruir franquias cinematográficas baseadas em videogames. O cara simplesmente não sabe o que fazer com o que tem nas mãos. Resident Evil 4 é uma profusão de erros e situações vazias do começo ao fim. No final da película, a impressão que dá é que você passou os últimos 97 minutos em estado vegetativo.

Mas, enfim, vamos aos motivos…

Para começar, a tentativa idiota de Anderson de limpar as burradas produzidas nos filmes passados. Logo na primeira cena, ele simplesmente joga o exército de clones de Alice numa cena frenética de ação e aniquila todas elas. Pronto, nada mais dos clones que serviram como cliffhanger no final de Resident Evil 3: A Extinção. Na época do terceiro longa, lembro que uma das coisas que me causou maior ojeriza foram esses clones da Alice — era um plot twist extremamente estúpido e forçado, e eu odiei. Não obstante, alguns momentos depois ele fez questão de tirar os poderes sobre-humanos da Alice, para logo em seguida explodir o avião dela numa montanha, mostrá-la sendo coberta pelo fogo e permitir a ela escapar ilesa. Porra… se era para ela resistir dessa forma (como suporta ainda outras coisas no filme), POR QUE DIABOS TIRAR OS PODERES DELA?! Ela é uma agente treinada e blábláblá… mas sem poderes de cura acelerada não dá para regenerar tecido queimado numa explosão provocada pela queda de um avião (compreende o drama?!). Ah… mas então você diz… é Resident Evil… tem zumbis… pode ter este tipo de coisa surreal… não é realidade! Não, meu caro, não pode ter. Isto não se chama ficção… isso se chama: UMA FALHA GROTESCA DE ROTEIRO!

Somam-se a esta confusão, os personagens. Alice, papel de Milla Jovovich e protagonista de toda a série, é só um monte de: frases feitas, movimentos acrobáticos e fraquezas da humanidade (fraquezas que, curiosamente, só aparecem no final do filme, justamente quando ela tinha que continuar fodona). Aliás, todos os personagens são um amontoado de clichês que aparecem durante dez minutos e morrem… ou não. Chris Redfield, interpretado como uma tábua por Wentworth Miller, é um desperdício. Aliás, ele é colocado em cena unicamente para armar a fuga do grupo de Alice de uma prisão infestada por zumbis — uma ironia safada já que Miller ficou famoso por representar um escapista na série televisiva Prison Break. Já Claire Redfield aparece aqui para absolutamente nada além de distribuir tiros; nem mesmo a perda de memória dela serve de alguma relevância dramática à trama. E temos o vilão Wesker, que mais parece um agente saído da Matrix, mas que não tem metade da graça (e importância) de um agente Smith. Os demais figurant… ops… digo… personagens, sequer merecem menção.

Falando em Matrix, chegamos ao maior problema de Resident Evil 4 — a câmera lenta. Sinceramente, eu aguardo ansioso o dia em que os diretores de Hollywood perceberão que câmera lenta é a porra de uma técnica ultrapassada e que só serve para retardar a ação e o dinamismo de um filme. Neste caso, o recurso é usado por Paul S.W. Anderson à exaustão (e põe exaustão nisto); TODAS as cenas de ação desaceleram do nada de forma extremamente desnecessária e para mostrar situações que ficariam mais legais se mostradas com a fluidez normal. Será que em nenhum momento, o diretor percebe que essa lentidão é um anticlímax do caralho?!

Como vocês já puderam notar, REALMENTE não gostei de Resident Evil 4, aliás, é uma opinião que já estava pronta para extravasar desde Resident Evil 3. Nunca usei tanto o capslock num texto. Foi muito broxante.

Todavia, existem alguns pequenos méritos que são dignos de nota…

O 3D é incrível, isto é inegável. Filmado com as mesmas câmeras que James Cameron usou em Avatar, o longa passa uma sensação de profundidade que produções simplesmente convertidas para 3D jamais conseguirão. Isto é realmente um valor a se considerar, pena que não minimiza a mediocridade da história. De que adianta efeitos soberbos com um roteiro boçal.

A trilha sonora também é muito boa, composta com primor pela dupla Tomandandy. Devo ressaltar ainda a ótima música The Outsider, da banda A Perfect Circle.

Por fim, existe uma única sequência que presta: o confronto entre Claire e o monstro Executioner. A cena não serve a qualquer propósito; é apenas um fanservice que está ali para mostrar a aberração mascarada com machado gigante que aparece no jogo Resident Evil 5. Mas é um fanservice que vale por dois motivos, apesar da supracitada câmera lenta estraga prazeres.

1- Pelo machado do Executioner arremessado contra a tela e fodasticamente maximizado pelo 3D.

2- Pela visão do paraíso representada pela atriz Ali Larter… toda molhadinha! :-D

Esta cena e o 3D devem ser os únicos motivos para o sucesso que RE 4 está fazendo aqui e no exterior. Porque, de outra forma, isso seria impossível.

Se quiser ver o filme, veja pelo 3D e nada mais.

Ah… é mesmo, esqueci de falar do enredo. Bem… Alice e seus companheiros contra zumbis!

No final, nosso querido diretor ainda nos reserva uma surpresinha. No meio dos créditos existe uma cena que traz de volta uma antiga personagem da franquia. Uma surpresa que seria até agradável, se o filme não fosse tão ruim. O problema é que esta figura é minha preferida no game e vê-la só me deu a certeza de duas coisas: que Anderson continua tentando limpar as burradas das produções anteriores e que na continuação já anunciada, minha personagem preferida vai ser mais avacalhada. Pois é… vou guardar um pouco do capslock para falar mal do quinto filme quando ele estrear. :-P

Nível Ínfimo

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  • Simone

    Ah! Finalmente alguém concorda comigo!!! Esse filme foi uma verdadeira bosta, assisti a todos e sabia que a saga Resident Evil não era grande coisa, mas nesse último eles se superaram!!! Muito fraquinho!!!

    • http://www.nivelepico.com/ Alan Barcelos

      Concordo plenamente com você, Simone.

      Acho que as pessoas estão gostando por causa do efeito 3D e por ter mais elementos do game do que as produções anteriores, mas acho que esses detalhes só maquiam a verdadeira FALHA que é esse filme.

      Obrigado pelo comentário.

  • jason

    fraco é elogio, horrivel, podre…

  • Claudio

    Filme parece que foi feito a força para tentar ganhar mais um dinheiro com a franquia abusando da boa vontade dos fãs. A explosão do avião no começo e ela sem poderes realmente é facada no roteiro, para completar metade do filme se passa naquele prédio aonde a história não anda e só vai ter alguma emoçao com o monstrengo do machado.

    Como conseguem estragar franquias de games no cinema, problema é que dão o trabalho do roteiro a pessoas que sequer jogaram ou fizeram outro trabalho do genero e então dá nisso, de bom mesmo só os dois primeiros.

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