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A Origem

A Origem

“A Origem” é um nome legalzinho, mas que não faz jus ao conceito do filme. Tanto, que para dar algum sentido, o nome é inserido em um diálogo que fala sobre “a origem da ideia implantada”, um diálogo que é nitidamente forçado na legenda brasileira, uma vez que qualquer um com um mínimo de conhecimento de inglês percebe que o personagem de DiCaprio pronuncia a palavra Inception, que é traduzida como Inserção ao longo de toda a película, exceto nessa cena. Será mesmo que usar o nome “Inserção” aqui no Brasil ficaria tão ruim ou chamaria menos público?!

Enfim… vamos ao que interessa…

Christopher Nolan é o cara!

Nome por trás de filmes extremamente inteligentes, como Amnésia e O Grande Truque, e pela renovação de um dos maiores heróis dos quadrinhos nas telonas, com Batman Begins e Batman: O Cavaleiro das Trevas, o cineasta é um homem de inquestionável visão e sagacidade para fazer cinema. Mas depois de A Origem (Inception), arrisco dizer que ele pode definitivamente figurar entre os gênios da indústria cinematográfica. Seu novo filme não é só muito bom… é MAGNÍFICO!

Na trama, Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) é um ladrão especializado em roubar segredos das pessoas através de seus sonhos. Porém, quando um de seus trabalhos falha, ele se vê obrigado a trabalhar com seu antigo alvo num plano ainda mais ousado: realizar uma Inserção, uma técnica complicada que consiste em plantar uma ideia na mente do alvo de modo que ele acredite fielmente nela. Para tanto, ele contrata os serviços de Ariadne (Ellen Page), uma jovem com grandes habilidades de manipulação dos sonhos. Ellen Page, aliás, é um achado, excelente no papel da arquiteta novata cuja função não é somente construir a paisagem onírica, mas também esclarecer os espectadores sobre todo o processo de invasão. Existem regras a serem seguidas e a personagem de Page garante que as conheçamos sem ficarmos confusos ou entediados. Somam-se a eles, o armador (Joseph Gordon-Levitt), o químico (Dileep Rao), o falsificador (Tom Hardy), o contratante (Ken Watanabe), o alvo (Cillian Murphy) e a sombra (Marion Cotillard). Todos ótimos em seus papéis. Além disso, devo ressaltar a qualidade de Leonardo Di Caprio; o ator a cada atuação mostra cada vez mais competência e esbanja talento na pele do extrator atormentado por pendências do passado, um personagem relativamente parecido com o que ele próprio interpretou em A Ilha do Medo, mas trabalhado de maneira adequadamente diferente.

Quanto ao filme em si… tenho até dificuldade para encontrar palavras para descrevê-lo. Nolan mais uma vez trabalha com ousadia ao criar uma trama intrincada e com múltiplas camadas sem, contudo, tornar tudo uma miscelânea absurda. A cada sequência, o espectador é levado a níveis diferentes de compreensão enquanto os personagens atingem níveis mais profundos do subconsciente. Tudo isso concebido de forma ímpar pelo diretor, com uma produção requintada, uma edição de embasbacar e uma trilha sonora impecável administrada pelo célebre Hans Zimmer. A forma como as cenas são entrelaçadas para contar o ponto de vista de cada nível de sonho… putaquepariu… é SENSACIONAL! Já faz uns dez anos desde a última vez em que tive tal sensação no cinema.

A Origem é, sem dúvida, uma experiência única!

Todavia, não é uma experiência facilmente palatável. Assim como a própria Inserção que dá nome ao filme (o nome original), para ser bem-sucedido é preciso ter imaginação. Como uma ideia que se propaga como um vírus, A Origem é capaz de provocar a catarse tão almejada pelos personagens (e por seu criador).

É uma obra diferente dos padrões comuns.

Não é uma simples fantasia ou ficção, é algo além.

É pura criação!

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  • Carolina Souza

    Assisti o filme ontem, antes de ler este post. Visto o filme e lido o post, concordo em número, gênero e grau com o descrito. O filme é fodaaaaaaa!
    Recomendo a todos que sabem apreciar uma trama bem desenvolvida.

  • Tarcisio

    Cara foi de explodir a cabeça cabei de ver agorinha, faço minhas as suas palavras, é algo além.

  • Alan Barcelos

    Carol e Tarcísio…

    Realmente, Inception é espetáculo a parte. Um primor de roteiro e fotografia capaz de explodir nossas cabeças.

    É um filme sensacional que merece ser visto e revisto.

    Obrigado pelos comentários.

  • Julio Luiz

    Aposto em dizer que 'A Origem' seja o filme do ano. Christopher Nolan soube como ninguém retratar o que se passa dentro da cabeça das pessoas. E mais: engana-se quem tenta entender o que não tem significado no filme. O longa trata do drama pessoal do protagonista, que pagou um preço alto por mexer com a mente humana. Abraços a todos.

  • Alan Barcelos

    Júlio…

    Realmente, Inception é um filme excepcional, que trabalha muito bem os dramas emocionais dos personagens, principalmente a dificuldade em lidarem com seus próprias pesadelos.

    A estrutura narrativa é magnífica, um trabalho bem engendrado por Christopher Nolan e seu irmão Jonathan Nolan, cuja a competência eles já provaram em outros filmes como: Amnésia e O Grande Truque. Se ainda não tiver visto esses filmes, são duas produções das mais inteligentes no cinema (eu recomendo).

    Obrigado pelo comentário.

    Abs.

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